terça-feira, 27 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Sou Negro
Sou negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh`alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh`alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu
Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
Mesmo vovó
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou
Na minh`alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou
Na minh`alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação
Solano Trindade
"Era poeta,
pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu no dia 24 de julho de
1908, no bairro de São José, no Recife, capital de Pernambuco.
Era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira
Merença (Emerenciana). Estudou até completar um ano de desenho
no Liceu de Artes e Ofício. A partir de então, começa
a escrever. De todos os escritores
negros, ligados à coletividade negra brasileira, foi o que deixou presença
mais forte. Foi o primeiro a escrever, com especificidade,
para negros, naquele tempo. Solano Trindade foi o
poeta da resistência negra por excelência."
Recife, 24 de julho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1974
Fonte: www.portalafro.com.br/
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Aos amigos leitores
Peço desculpas a todos pela ausência, principalmente aos que acompanham o blog diariamente. Infelizmente, nos últimos dois meses passei por momentos difíceis que culminaram com o falecimento do meu pai. Por esta razão, mais uma vez peço desculpas aos leitores e amigos que sempre nos apoiam. Aos poucos retornarei para compartilhar com todos a beleza que é a poesia.
Um abraço a todos.
Elô Araújo
Um abraço a todos.
Elô Araújo
terça-feira, 6 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Se você me ama...
Bom, para alguns hoje é apenas mais um feriadão, para outros, um dia especial para relembrar os que se foram. Não quero questionar a crença de uns ou "descrença" de alguns, pois temos escolhas. Quanto a mim, prefiro viver de acordo com o texto abaixo, que por sinal, peço desculpas aos que o conhecem, pois escrevi apenas o que recordo dele, a essência. Como já faz algum tempo que o li e não tenho cópias, compartilho o que tomei como base para muitas situações. Mesmo pequenino no tamanho, o conteúdo é imenso e, dependendo do contexto, pode ser um refrigério. Boa leitura.

Se você me ama, mostre-me!
Não espere até que eu morra,
para depois cinzelar
- sobre a tumba fria -
palavras quentes de amor.
Ame-me agora enquanto estou vivo,
enquanto posso reconhecer os seus
sentimentos de ternura e meiguice
que brotam de uma afeição genuína.
Se você encontra alguém
com sede de água fresca,
tardará em levar? Irá devagar?
Por que negar-lhes o que
a natureza o fez desejar?
Se você pensa em mim com carinho,
por que não o manifesta?
Não sabe que me faria muito feliz?
Há corações sensíveis a sua volta,
carentes de amor e compreensão.
Eu não desejarei o seu amor
quando a erva crescer sobre o meu túmulo.
Não precisarei do seu carinho
no último lugar de repouso.
Por isso, se você me ama,
mesmo que seja pouco,
mostre-me agora, enquanto vivo
e eu o guardarei como um tesouro.
Autor desconhecido
Texto dedicado ao meu pai Evandro Araújo
(Recife, 03 de setembro de 1928 - Recife, 27 de outubro de 2012).
11:43
Elô Araújo


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