Não falamos sobre moda, cultura é o nosso foco, poesia nossa inspiração. Sair do lugar comum é como ver o mundo de cima de um salto 15...Vermelho!!!

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Se você me ama...

Bom, para alguns hoje é apenas mais um feriadão, para outros, um dia especial para relembrar os que se foram. Não quero questionar a crença de uns ou "descrença" de alguns, pois temos escolhas. Quanto a mim, prefiro viver de acordo com o texto abaixo, que por sinal, peço desculpas aos que o conhecem, pois escrevi apenas o que recordo dele, a essência. Como já faz algum tempo que o li e não tenho cópias, compartilho o que tomei como base para muitas situações. Mesmo pequenino no tamanho, o conteúdo é imenso e, dependendo do contexto, pode ser um refrigério. Boa leitura.


Se você me ama, mostre-me!
Não espere até que eu morra,
para depois cinzelar
- sobre a tumba fria -
palavras quentes de amor.

Ame-me agora enquanto estou vivo,
enquanto posso reconhecer os seus
sentimentos de ternura e meiguice
que brotam de uma afeição genuína.

Se você encontra alguém 
com sede de água fresca,
tardará em levar? Irá devagar?
Por que negar-lhes o que
a natureza o fez desejar?

Se você pensa em mim com carinho,
por que não o manifesta?
Não sabe que me faria muito feliz?
Há corações sensíveis a sua volta,
carentes de amor e compreensão.

Eu não desejarei o seu amor
quando a erva crescer sobre o meu túmulo.
Não precisarei do seu carinho
no último lugar de repouso.

Por isso, se você me ama,
mesmo que seja pouco,
mostre-me agora, enquanto vivo
e eu o guardarei como um tesouro.


Autor desconhecido



Texto dedicado ao meu pai Evandro Araújo 
(Recife, 03 de setembro de 1928 - Recife, 27 de outubro de 2012). 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um dia especial para Clarice

Em outubro o homenageado com o "Dia D", foi Carlos Drummond de Andrade, agora é a vez de Clarice Lispector ganhar um dia só para ela. O projeto "Hora de Clarice" acontece em sete capitais no dia 10 de dezembro. O evento propõe reunir os admiradores da escritora para lembrar os seus 91 anos de nascimento - hoje, faz 34 anos que ela morreu.  

Considerada com uma das mais polêmicas e indecifráveis escritora de todos os tempos, Lispector terá em seu dia uma programação especial.  Ainda que mais concentrada no Rio, a Hora de Clarice vai se espalhar por lugares tradicionais, como livrarias e centros culturais, e por outros mais inusitados, como barcas e estações de metrô, de cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Belém e Recife.   Segundo o Estadão, a iniciativa é da Rocco, que escolheu homenagear a maior estrela do catálogo nacional da editora no dia de seu aniversário, sendo este o primeiro ano do evento, que deve ganhar novas edições e adeptos nos próximos anos.

  Clique na imagem para conferir a programação

Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade.
Pedro Karp Vasquez

Ilustração - Andrea Ebert  


Eu não entendo. Eu não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado.



 O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."



Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.




Diva L.


Fontes: Youtube, www.claricelispector.com.br, Estadão

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Natal

Ouvi dizer que o Natal perdeu seu significado...
Que deu lugar ao consumismo,
Árvores de Natal
e Papai Noel


Mas eu prefiro lembrar que neste Natal,
Por conta dos empregos temporários,
Muitas pessoas poderão resgatar um pouco de sua dignidade.
E que por conta do dinheirinho extra que receberão
Muitos pais e mães de família poderão
Oferecer uma mesa mais farta para seus filhos


Prefiro lembrar que
por conta das Campanhas de Solidariedade feitas nesta época
algumas crianças ganharão, sim, algum brinquedo.
E que alguém...
Alguém poderá dar "aquele abraço" nas pessoas que gosta
Mas que “por falta de motivo pra abraçar"
Ficou contido até agora...


E, talvez, neste momento fique bem claro para todos que,
Bem ou mal,
No Natal, o Amor está em toda parte!


Mas, se ainda assim, você encontrar alguém 

Que não queira celebrar nesta data
Não tem problema:
Convide esta pessoa para viver com o Espírito do Natal
Em todos os seus dias!


Augusto Branco

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Barco

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. 

Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! 

Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica.  Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. 

Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.

Remar.
Re-amar.
Amar.


Caio F.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sentimento do mundo

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem

e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

Carlos Drummond de Andrade

Nota: Em homenagem ao dia "D" que comemora os 109 anos do nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade.

domingo, 30 de outubro de 2011

Por onde anda a felicidade?

Desde os primórdios da humanidade, o ser humano procura a felicidade como a terra seca clama pela água. É fácil conquistá-la? Nem sempre! Os poetas a homenagearam, os cientistas a descreveram, os filósofos a contemplaram, mas grande parte deles a saudaram apenas de longe.


Os reis tentaram dominá-la, mas ela não se submeteu ao seu poder. Os ricos tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Os intelectuais tentaram entendê-la, mas ela os confundiu. Os famosos tentaram fasciná-la, mas ela lhes contou que preferia o anonimato. Os jovens disseram que ela lhes pertencia, mas ela lhes disse que não se encontrava no prazer imediato nem se deixava encontrar pelos que não pensavam  nas consequências dos seus atos.


Alguns acreditaram que poderiam cultivá-la em laboratório. Isolaram-se do mundo e dos problemas da vida, mas a felicidade enviou um claro recado dizendo que ela apreciava o cheiro de gente e crescia no meio das dificuldades. Outros tentaram cultiva-la com os avanços da ciência e da tecnologia, mas eis que a ciência e a tecnologia se multiplicaram e a tristeza e as mazelas da alma se expandiram.


Desesperados, muitos tentaram encontrar a felicidade em todos os cantos do mundo. Mas no espaço ela não estava, nos mais altos edifícios não fez morada, no interior dos palácios não habitava. Cansados de procurá-la, alguns disseram: “ela não existe, é um sonho de sonhadores que nunca acordam”.


A felicidade bateu à porta de todos. Deu sinal de vida na história dos abatidos e dos animados, dos depressivos e dos sorridentes, dos que representam e dos que vivem sem maquiagem. Sussurrando aos ouvidos do coração, ela disse baixinho: “Hei! Não estou no mundo em que você está, mas no mundo que você é!”. Confusos, gritamos: “O quê? Fale mais alto!”. Como a voz de uma suave brisa ela delicadamente balbuciou: 

“Não me procure no imenso espaço nem nos recantos da terra. Viaje para dentro de você. Eu me escondo nas vielas da sua emoção, no cerne do seu espírito…”


 A maioria das pessoas não entendeu a sua linguagem. Esperavam que ela se manifestasse como o ribombar dos trovões. Mas ela ama o silêncio. Sorrateira, ela aparece quase imperceptível nas curvas da vida e nas coisas singelas da existência.


Por não entendê-la, navegamos sem leme. Desprezamo-la, mas ela resistiu. Maltratamo-la, mas ela, por um instante, apareceu e logo se dissipou. O resultado é que a felicidade habitou na alma de muitos por pouco tempo e na alma de poucos por toda a vida.


A felicidade tem muitas filhas e filhos: o amor, a tranquilidade, a sabedoria, a alegria, a paciência, a tolerância, a solidariedade, o perdão, a perseverança, o domínio próprio, a  bondade, a auto-estima. Nunca se viu uma família tão unida!


 Se você maltratar alguns dos seus membros, tem grande chance  de perder a família toda. Se ferir o amor, perderá a tranqüilidade; se a tranquilidade abandoná-lo, perderá a perseverança; se a perseverança partir, perderá a sabedoria; se a sabedoria se for, a auto-estima dirá adeus.


Precisamos aprender a conhecer o mundo da emoção para cultivar a felicidade. O mundo evolui com uma velocidade espantosa. A cada dez anos o conhecimento se multiplica derrubando mitos. Antigas “verdades” científicas perdem crédito e são abandonadas. Novas idéias substituem as anteriores. Tudo está tão veloz! Será que a emoção pode caminhar na mesma velocidade? Não! 

A felicidade é amiga do tempo. É preciso treinar a emoção para ser feliz.


Treinar a emoção é desenvolver as funções mais importantes da inteligência, tais como: aprender a gerenciar os pensamentos, proteger a emoção nos focos de tensão, pensar  antes de reagir, se colocar no lugar dos outros, perseguir os sonhos, valorizar o espetáculo da vida. Por que a solidão, a baixa auto-estima, a ansiedade, a fadiga e a irritabilidade têm sido companheira de jovens e adultos? Porque nunca treinaram suas emoções para mudar os pilares de sua história. Muitos livros de auto-ajuda vendem uma ideia inadequada do que é ser feliz.


Multiplicamos as escolas, mas não multiplicamos os homens que pensam. Multiplicamos o número de psicólogos e psiquiatras no mundo, mas não expandimos a produção de homens que tenham qualidade de vida e saibam navegar nas águas da emoção…


Durante dezessete anos produzi uma nova teoria sobre o funcionamento da mente, chamada de Inteligência Multifocal. Estudei muito sobre a emoção, escrevi milhares de páginas. Apesar das minhas limitações, sei o que estou dizendo, não há fórmulas mágicas para ser feliz. O caminho é um treinamento da emoção. Não é possível apagar nossas histórias, só é possível reescrevê-las.


 (…) O mais excelente mestre da emoção que já pisou nesta terra e sobre as lições mais importantes do treinamento emocional que ele nos deixou. É uma viagem interessante que certamente mudará para sempre nossa maneira de ver a vida e reagir aos obstáculos que nela surgem.

Quem se diploma na vida já está derrotado. Se você acha que é um pequeno aluno saturado de erros e dificuldades, você tem esperança. Saiba que não há gigantes no território da emoção, todos somos eternos aprendizes…

 Você pode e deve encontrar o caminho da felicidade, as veredas da tranquilidade, o prazer do diálogo, a coragem para superar suas crises e a lucidez para resgatar o encanto pela vida. Contarei diversas histórias para mostrar que você tem uma força incrível. Você venceu a maior corrida de todos os tempos, foi o mais corajoso da Terra e, por incrível que pareça, viveu o maior romance da história. Duvida? Espere e verá.


Prefácio do livro Treinando a Emoção para ser feliz  de Augusto Jorge Cury.



Nota: Comecei a ler este livro e, já no prefácio, uma pausa... Por esta razão, resolvi compartilhar e convidá-los a refletir e iniciar o dia observando os sinais. Olhem para os lados, visualizem a beleza e a grande dádiva que é a vida. Exercitem a felicidade, vale a pena!

Boa semaninha!!!

Diva L.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Segunda-feira... Respire e Recomece!!!





Apesar dos nossos defeitos, precisamos enxergar que somos pérolas únicas no teatro da vida e entender que não existem pessoas de sucesso e pessoas fracassadas. O que existem são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles.


Augusto Cury

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Canção do não tempo de lua - Mário Lago


Há textos e textos, poemas e poemas, interpretações e...puro êxtase! Alguns textos nem precisam de muito para emocionar, é o caso dessa pérola de Mário Lago. Pura provocação que nos convida a parar e pensar. Respire fundo e aperte o play...Boa viagem!!!




Amada não me censure, se sou de pouco falar
Nem se esse pouco que falo não faz você suspirar
É tempo de vida feia, de se morrer ou matar
De sonho cortado ao meio, de voz sem poder gritar
De pão que pra nós não chega, de noite sem se acabar
Por isso não me censure, se sou de pouco falar

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada minha não chore se nunca falo de amor
Nem se meu beijo é salgado, que é beijo chorado em dor
É tempo de vida triste, de olhar o seu com pavor
De mão pro último gesto, de olhar pra última flor
De verde que era esperança trazer desgraça na cor
Por isso amada não chore se nunca falo de amor

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A Lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada não vá embora se eu trouxe desilusão
Se aumento sua tristeza, tão triste a minha canção
É tempo de fazer tempo, de pegar tempo na mão
De gente vindo no tempo em passeata ou procissão
No mesmo passo de sonho pra bomba dizendo ?não!?

Amada não vá embora, mudou a minha canção!

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Pois criança vai ser homem porque a gente quer
A mulher vai ter seu homem porque a gente quer
Homem vai fazer seu sonho porque a gente quer
Vai ser tempo de ver lua e tirar rosa do pé

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pensamentos repetitivos - Martha Medeiros


Minha geração cresceu buscando liberdade, bem diferente dos adolescentes de hoje, que trocaram o idealismo por um notebook. Um jingle da época dizia que liberdade era uma calça velha, azul e desbotada, mas isso era apenas uma metáfora para uma liberdade que significava morar sozinho, trabalhar e tomar as próprias decisões – os alicerces para a independência.

O tempo passou e nossa independência se adequou às responsabilidades da vida adulta. Casamento, profissão, paternidade: nos mantivemos livres, pero no mucho. A liberdade plena passou a ser exercitada apenas em área restrita: dentro da nossa cabeça. Ainda podemos pensar o que quisermos. Nosso poder de criatividade segue intacto. E incentivo para exercitar o cérebro nunca faltou: livros, jornais e uma rede de informações que cresce a cada dia.

No entanto, em vez de usar o cérebro como uma forma de libertação, ficamos escravizados por ele. Muitos preferem segurança à liberdade, e então criam um pacote de pensamentos repetitivos ao qual se agarram por décadas, sem nem questionar, sem nem se dar conta de que talvez já não pensem mais daquela maneira. “Nunca vou conseguir fazer isso”, “Não fui feito para tal coisa”, “Jamais financiarão essa minha ideia maluca”, “Meu pai não me perdoaria”, “Fulana não vai mudar” são pensamentos recorrentes que impedem que arrisquemos. Não passa pela nossa cabeça que o pai perdoaria, sim, e que ideias malucas podem encontrar incentivadores, e que só é impossível conseguir aquilo que não ousamos tentar. Mas você topa pensar diferente do que pensava antes? É esse o acordo.

Ninguém vai virar um Einstein ou um Steve Jobs por desamarrar-se de suas crenças imutáveis. Mas há um ganho real em ser capaz de abandonar os pensamentos de estimação, mesmo que considere estar traindo a si mesmo. Ora, se as pessoas não conseguem nem mesmo manter suas juras de amor eterno ao parceiro, por que precisam manter juras de amor eterno a um pensamento estagnado?

Pode-se viajar pelo mundo, ir para um lado, para o outro, mas quem continua pensando sempre igual, quem não reavalia suas convicções, permanece imobilizado.

Abandonar uma postura, reposicionar-se, experimentar. Esse é o verdadeiro espírito de liberdade que Steve Jobs deixou como herança, e esse espírito é mais importante que a invenção de iPods, iPhones e iPads, ferramentas modernas, mas que também são manuseadas por gente travada. Pensar diferente não é criar ou usar tecnologia: é recriar-se e usar-se. E isso é possível a qualquer um.

Martha Medeiros
(Texto publicado no jornal Zero Hora/RS - 12/outubro/2011)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

É!!!

Não se concentre tanto nas minhas variações de humor, apenas insista em mim. Se eu calar, me encha de palavras, me faça querer dizer outra e outra vez sobre você, sobre nós, e todo esse amor. Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, não precisa nem secar minhas lágrimas. Só me diz que você continuará comigo pra tudo, que tenho teu colo e teu carinho. E ainda que te doa me ver assim, me envolva nos teus braços e diga que eu posso chorar, mas que você não sairá dali enquanto eu não sorrir.

Porque é isso que nos importa, não é? 
O sorriso um do outro. Não é? 


Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Eu Lago Sou



Beth Mendes, Mario Lago Filho, Gracindo Júnior, Mario Lago Neto e Milton Gonçalves declamando o poema "Eu Lago sou" de Mário Lago.

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora. 

Manuel Bandeira

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pausa para Coralina

Poeminha Amoroso

Este é um poema de amor

tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."

Cora Coralina

Pausa para Neruda

Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.

Se sou esquecido,

devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo.


Pablo Neruda 

A descoberta do amor

   “[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
       Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”


Clarice Lispector

Pausa para Quintana

Amar: 
Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.

 
Mário Quintana 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Poema Natural


Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece.
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar, choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar,
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.
Cansei do fundo do mar, subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tomarei.
Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo, parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva, desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu. 


Adalgisa Nery

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Hino Nacional

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
o Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.

O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonnettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas.

Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.

Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.

Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...

Precisamos adorar o Brasil.
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos...
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.

Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?


    Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ainda que mal

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Inconfesso Desejo

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você                                          Carlos Drummond de Andrade 

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