Não falamos sobre moda, cultura é o nosso foco, poesia nossa inspiração. Sair do lugar comum é como ver o mundo de cima de um salto 15...Vermelho!!!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

"A gente é só passageiro prestes a partir"

Olá amigos, quanta saudade!

Faz tempo que não trocamos ideias, né verdade?!
Mas, partindo do princípio que para escrever é preciso inspiração, fiz um acordo comigo e com a minha alma: Só escrevo quando tenho algo a dizer, ou o algo me diz algo. Deu pra entender? Não?! Relaxa, não é nenhum pensamento filosófico...

Então, esses dias ouvi uma canção realmente inspiradora e quero compartilhar com vocês.
A inspiração é a música "Trem Bala" de Ana Vilela.

Apertem o play e apreciem sem moderação


Bj grande e abraço na alma.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Apenas sentir

Quando paramos para ouvir o silêncio...
Ahhh, o silêncio!!!
Por vezes, ele tem tanto, mas tanto para nos dizer e ensinar.
Ouvir e sentir o silêncio,
Ler o olhar,
Traduzir a falta do toque.
Palavras não ditas.

Apenas sentir...




Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.

domingo, 25 de outubro de 2015

Ao poeta com saudades


Poeta menino,
Tão frágil que, por vezes, teme o destino
Poeta medroso,
Sente medo da dor,
de doença,
de agulha,
de multidão,
tem medo do escuro,
Mas gosta da noite,
gosta tanto que por ela se aventura em versos.

Poeta sem juízo e sem amarras
Mas que se amarra a um amor doentio
Poeta iludido que pensa que se aprisionando
viverá uma linda e eterna história de amor

Poeta complacente que abre mão da alma de poeta
E no silêncio se justifica e morre,
e mata,
e chora,
e sofre
Poeta que em agonia se mantém
em favor de um alguém
que a ele não respeita
Sim, que respeito pode existir
se destruo o que tens de melhor?

Poeta, de barulho tua alma é feita
No barulho das almas encantadas
sobrevive a tua alma que encanta
Poeta, não morra!
Não se mate!
Não nos mutile! 

Até sofra, 
pois no sofrimento transbordas em versos
Grita, poeta!
Liberta-te, poeta!
Verseja, poeta!
Invade-nos, poeta!
Invada-se, poeta!
Invada-me, meu querido poeta!


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Quando não mais...



Passarei a ver com clareza o que desejo e espero do presente e futuro
Não mais, nunca mais me aterei ao passado porque, redundantemente, passou
Passou como tudo passa - ou como deveria passar
Fecho os olhos e nada vejo além da triste e solitária solidão

Confuso, como pode a solidão ser algo além de solitária?
Sem explicações, por favor!
Pelo menos agora, respeite o meu momento de devaneio.
Claro que não! Jamais usei nem ao menos precisei de entorpecentes

Tinha o mais poderoso entorpecente em meus braços
Bastava fechar os olhos para sentir o aroma que exalava de sua alma
Ainda ouço sua rasgada risada, que rima tão pobre e sem conteúdo, não!
Desculpe-me, foi involuntário...

Aliás, quão involuntária sou quando o assunto é você
Penso e resolvo que não te quero e jamais te desejarei novamente
Determino a resolução como uma sentença que deve ser cumprida
Mas...A mente, a alma e o corpo, não possuem sintonia

E eu, neste grande redemoinho reviro na cama
Controlo a respiração e tento, juro que tento
Não mais pensar sequer no passado que passou
Talvez eu consiga, quem saberá?

Talvez eu consiga todas as proezas
quando um dia eu não mais te amar.

Diva L.

domingo, 26 de abril de 2015

Vitrola e Vinil

Revirando postagens que estão no rascunho do blog, me deparei com esta, escrita em junho de 2012. Acreditem, embora aparente passado, este post faz parte do meu presente. Há 30 dias mudei de cidade, estou longe da família e amigos. Uma experiência super nova, pois nunca fiquei distante tanto tempo, nem tão distante. Então, compartilho o texto e a música que hoje é a minha, digamos, cara. Boa leitura, direto do túnel do tempo...ou não!

PS: Trouxe os meus sapatos preferidos. :)

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Sim, ainda temos uma vitrola aqui em casa e alguns vinis. Bem menos do que eu gostaria, mas temos. As relíquias que sobreviveram à inúmeros temporais, foram adquiridas pelo meu pai, e durante muito tempo foram preteridos, inclusive por mim, pois não entendia o real valor dos "bolachões".  Ainda restaram algumas raridades com chiadinhos e aranhões. Infelizmente, muitos se perderam, extraviaram com o tempo. 

Enfim, por que estou falando em vinil e vitrola? Simples, hoje fiz o meu ritual do desapego, lembram dele? Pois é! E adivinhem o que encontrei? Isso mesmo, um vinil fantástico do Sá e Guarabira. Não tenho certeza, mas acho que é da década de 90. Esse vinil é simplesmente inspirador. Por isso, resolvi compartilhar uma música com todos e espero que gostem tanto quanto eu.

Apreciem sem moderação!!!

O meu lar é onde estão os meus sapatos
Sá e Guarabira

Desde que me conheço
Desde que me conheço
Que sou assim
Mas não, não, não ria de mim,
Amigo de novidades sem ambição ou raiz
Mas isso não me faz infeliz
A gente tem que saber
Ser dono do seu destino
Partir se tem que parti
Ficar se tem que ficar
Meu lar é onde estão meus sapatos
Meu lar é onde estão meus sapatos
Um pouco em cada pedaço e lugar
Mas basta que você diga
Basta que você diga
Uma só palavra pra mim
Que sim, sim, sim.
E logo você vai ver
Que eu cheguei pra não mais sair
E vim, vim, vim.
A gente tem que saber
Ser dono do seu destino
Partir se tem que partir
Ficar se tem que ficar
Meu lar é onde estão meus sapatos
Meu lar é onde estão meus sapatos
Um pouco em cada pedaço e lugar

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Observando...

Estou só observando...
Discursos heroicos e inflamados, grito pelos excluídos e marginalizados, defesas aos políticos, acusações aos mesmos, acreditem, políticos (como se os mesmos estivessem muito preocupados), brigas partidárias, indignação frente à maus tratos à idosos, crianças e animais, muito embora, milhares de vídeos e imagens sejam compartilhadas diariamente. Correntes e orações por ateus, piadas de gosto duvidoso pelos que se dizem cristãos. Declarações de amor e amizade... Filhos dedicados que mal olham para os pais. Autoajudas, receitas, supostos furos de reportagem. Falácias e lógicas infundadas.

Apenas observando...
Embora o BBB seja repudiado, as pessoas adoram exibições e comentários. Piadas sem graça e vídeos sem noção, que causam tão somente vergonha alheia. Quanta futilidade mascarada de incentivo, utilidade pública e bla, bla blas que vão de cortes e tinturas de cabelo, unhas coloridas e fashions, dietas. Nossa, quanto consumo desnecessário de oxigênio e conexão. Quantas mentes vazias em busca de segundos de fama, resumidas em curtidas. Que doentia necessidade de estar na moda, criando, divulgando e participando de "modinhas", de ser cool ou cult. Vale tudo por uma curtida. Quantos comentários que em nada enriquecem? Ah,  quanta preguiça me causam!

Sinto-me uma E.T.
Fato! Não consigo alcançar o universo que permeia tais universos.  Quão grandiosa é a rede, como seria fantástico se os ditos humanos conseguissem ser humanos sem máscaras, que oscilam de super heróis bem sucedidos a pobre coitados e mal amados.

Quanta preguiça me causa...
A certeza que as pessoas seriam mais interessantes se o comportamento fosse sem interpretações, sem frases repetidas. O ser humano é um ser especial que não precisa mascarar seus desejos e dores, somos seres espetaculares.

Por que insistimos em permanecer no lugar comum?


Elô Araújo




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Apenas sinta... Zeto do Pajeú

De  repente uma saudade do que não vivi. Uma vontade de viver algo que inspire um poema de tamanha grandiosidade. Voz, violão, sonoridade, sensibilidade à flor da pele que desperta os sentidos, aflora os desejos e anseios. Eita vontade de me apaixonar e de rasgar em versos as batidas do meu coração!

Deleite-se!!!

Curvas
Zeto do Pajeú


Esse rio que passa no meu coração
Navega pra minha vontade
Uma viola junto da mão
Silêncio acorda na cidade

Eita quanto tempo uma canção demora no meu peito
Esse rio que passa
Parece que a melodia encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha vida se varia depois que eu canto
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso de cantar

Esse rio que seca no meu coração
Deságua na minha vontade
Uma viola junto da mão
Segredos da minha idade

Eita quanto tempo o teu cheiro fica em minha boca
Esse rio que passa
Parece que  meu coração encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha rua se enfeita com tua chegada
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso te voltar

Esse rio que passa no meu coração
Navega pra minha vontade
Uma viola junto da mão
Silêncio acorda na cidade

Eita quanto tempo uma canção demora no meu peito
Esse rio que passa
Parece que a melodia encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha vida se varia depois que eu canto
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso de cantar

Esse rio que seca no meu coração
Deságua na minha saudade
Uma viola junto da mão
Segredos da minha idade

Eita quanto tempo o teu cheiro fica em minha boca
Esse rio que passa
Parece que  meu coração encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha rua se enfeita com tua chegada
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso te voltar


Zeto do Pajeú - José Antonio do Nascimento, músico e poeta declamador. Tinha formação musical e literária urbana. Canhotinho (PE) 1956 - Recife (PE) 2002. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Poeta nasce Poeta

Certo dia entre um verso e outro
alguém me perguntou:
Como surge um poeta?
E eu, com um sorriso débil respondi:
Poeta nasce poeta!
Se assim não o fosse,
não seria poeta!
Poeta não se fabrica,
Sua faculdade é a vida
seus companheiros são os pássaros,
a brisa, o  vento, as nuvens que chegam a ser de algodão...
O amor, a solidão, o beijo roubado ainda na adolescência,
A face ruborizada, o brilho febril do olhar enamorado.
Poeta simplesmente nasce poeta!
O poeta sorri à toa
Não é necessário um fato extraordinário
para inspirá-lo.
Não, o poeta é inspirado do nascer ao pôr do sol
Por vezes, nem precisa ter sol
Basta ameaçar chuva, que lá está ele divagando,
divagando, divagando...
Entre gotas d´água, arco-íris, relâmpagos e trovões
Ele visualiza potes de ouro e lugares encantados
Ah, o poeta!
O poeta não tem sexo, nem ideologia...
Isto é, têm inúmeras ideologias e ergue bandeiras com paixão
Ser mortal que se imortaliza em versos
Não precisa de rimas, apenas de sonhos
Poeta,  louco e doidivano
Chora e faz chorar, sus-pi-rar...
Vibra emocionado ao concluir um soneto
Orgulha-se ao exibir um cordel
Extasia-se ao tocar as almas com sua poesia
que sem pretensão transborda do mais profundo
do seu ser...
Embriaga-se com as palavras que escorrem pela boca
e encharcam a pele e a mente
Sim, o poeta  não apenas surge,
Poeta nasce sonhando
Poeta nasce poeta!!!

Elô Araújo

domingo, 17 de agosto de 2014

Lágrimas do Recife

O meu Recife está tão triste
O Capibaribe parece feito de lágrimas
Lágrimas turvas que impiedosas se espalham
Os olhares incrédulos vagam pela Rua da Aurora

Tudo é silêncio!!!
Todos estão em profundo e inquietante silêncio
Na Rua da União, os poetas emudeceram,
Não há rimas nem versos
Já não há Ariano

E Campos...O Dudu, como só os pernambucanos
o chamavam...se foi!

E eu, que entre lágrimas escrevo
Contemplo o meu Recife taciturno
Os pombos do Pátio de São Pedro
Já não sabem ou não querem voar

O Marco Zero está solitário, totalmente vazio
Na Torre Malakoff  nada temos à contemplar
Da Praça da Independência até a Rua Direita
As pessoas se comunicam apenas pelo olhar

A Rua do Hospício mais parece sob efeito de tranquilizantes
De repente tornou-se sã diante de tamanho desatino
O luto se estendeu por todos os cantos desta cidade
Até a agitada Dantas Barreto emudeceu

Sob densa nuvem, a Rua do Sol eclipsou
Na Rua Nova pessoas perplexas comentam
Duque de Caxias, Guararapes,
Ponte Duarte Coelho,
Tudo é tristeza, apenas os sinos tocam

Um lamento!!!

Sete vidas se foram
Sete famílias que se multiplicaram
e compartilham da mesma dor
Os corações descompassados batem no peito
A esperança se fez em pedaços

Já não há partidos e as ideologias se perderam
O torpor invadiu o céu e o sol teima em não brilhar

Julho se foi entre lágrimas e abriu as portas
Agosto adentrou  acompanhado de profunda comoção
Só quem é pernambucano alcança
A tristeza em cada olhar

Só quem é pernambucano entende
O significado do silêncio que grita
Pelas ruas do meu Recife
Cujas lágrimas se misturam

As turvas águas feitas de lágrimas
que cruzam a cidade submissas ao Capibaribe
Ecoam por toda a cidade como prece
Para que se transforme em saudade
a dor agora sentida...Assim seja!



Que Deus console os corações destas famílias e que renove a esperança do nosso povo.

Elô Araújo

PS: A minha ficha ainda não caiu.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Ariano

Ontem amanhecemos nublados,
Hoje em lágrimas nos desmanchamos.
Eu e o Recife.
Um texto que não apreciamos.
Um fato sem propósito
Que ainda não aceitamos.
E agora, quem aquietará as nossas inquietações?
Quem alimentará a nossa fome de encantamento?
Quem fará flutuar a nossa alma?
Quem em um misto de firmeza e leveza se oporá à mediocridade?
Quem nos fará rir diante das verdades expostas?
O nordestino de branco, o rubro amado por todas as nações
O cavaleiro armorial de muitas faces
A "madeira de lei" que aos cupins bravamente resistiu
O frágil corpo que já não comportava tamanha genialidade,
No seio da terra foi plantado
E a nós, pobres mortais, nos resta resistir
E lutar com as armas dele e por ele.

Obrigada, mestre Ariano.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Atualizar o software! Será?

Perdi as contas de quantas vezes mudei a cor do cabelo, ganhei ou perdi peso. Como também, nem sei quantas vezes mudei o estilo de roupas e opiniões sobre determinado assunto. Em quatro anos, muita,  muita coisa mudou. Pelo menos dentro de mim.

Não sei se preciso atualizar o software como propõe uma campanha de determinada empresa mas, acreditem, não mais consigo gritar gol como em 2010. Não foi apenas o entusiasmo que perdi, mas a fé na importância desta conquista. Não quero parecer pessimista ou do contra, mas em 4 longos anos, passei por tantas mudanças que foram além do peso ou da cor do cabelo.

Difícil manter o mesmo olhar sobre tais "conquistas" quando vemos tanta gente morrendo ou passando por dificuldades e o grande desperdício de dinheiro público. Ah, mas isso tudo já existia há 4 anos! Verdade, isso tudo existia e nada fizemos, nada eu fiz para tentar mudar. Bom, até tentei, mas não consegui, pois fui na contra mão da maioria e acabei por perder. Perdemos todos!

Não estou levantando bandeira política ou algo parecido, mas é difícil gritar gol com o mesmo entusiasmo quando na metade do mês, a grande e massacrante maioria já não tem o que comer. Ah, mas quem tá aí pra isso? Nem os próprios. A grande maioria quer festa e gritos de gol.  Então gritem gol e esqueçam (se puderem)  os gritos de dor. Rumo ao hexa, Brasil!


PS: Apenas um desabafo em meio aos fogos e gritos nervosos de gol que ecoam da minha sala, na fantástica e eletrizante goleada do Brasil sobre a fortíssima seleção de Camarões.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Ontem ao Luar

Ontem, ao luar,nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão.
Nada respondi, calmo assim fiquei
Mas, fitando o azul do azul do céu
A lua azul eu te mostrei
Mostrando-a ti, dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e, assim, te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer
De ver a lágrima nos olhos a sofrer

A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que eu só sei sentir
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
Pergunta, ao luar,do mar à canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão

Se tu desejas saber o que é o amor
E sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe um monte á beira mar, ao luar
Ouve a onda sobre a areia a lacrimar
Ouve o silêncio a falar na solidão
De um calado coração
A penar, a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal
A dor silente, universal
E a dor maior, que é a dor de Deus

Se tu queres mais 
Saber a fonte dos meus ais 
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração 
Ouve a inquietação da merencória pulsação 
Busca saber qual a razão 
Porque ele vive assim tão triste a suspirar 
A palpitar em desesperação 
Na queima de amar um insensível coração 
Que a ninguém dirá no peito ingrato em que ele está 
Mas que ao sepulcro fatalmente o levará


Catullo da Paixão Cearense e Pedro Alcântara
Por Marisa Monte



sábado, 31 de maio de 2014

Refazendo

Rasguei os papéis,  pintei os cabelos e as unhas
Fiz um girassol e no arco-íris escorreguei
Me refiz e em versos me escrevo

Das cinzas retorno ao som de uma canção
De Beatles à Baleiro em lágrimas brotei
Aos poucos o brilho do olhar retorna

O sorriso ainda vem ao longe
mas já vislumbro o quão radiante se mostra
A esperança, tal como semente, repousa escondida
no canto da alma prestes a despontar

O oxigênio transita do pulmão ao cérebro
O coração compassadamente anuncia
que mesmo abatida estou viva
Pronta para mais uma batalha.

Diva L.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Põe pra fora

E quando o estômago dói e a boca amarga,
a cabeça gira e nauseada choras
as mãos em sincronismo esfregam-se e suam
o peito explode e o corpo treme
Põe pra fora!

Sim, põe pra fora!
Rasga a alma em lágrimas
E faz da dor um verso.
Confessa tuas fraquezas
e respeita os teus limites

Põe pra fora o que te aflige e atormenta
Escreve, escreve, escreve...
Põe pra fora os tristes sonetos
Violenta o papel com tua áspera caneta
Liberta os teus "eus" maltratados

Põe pra fora
E clama aos poetas que te perdoem
pela falta de inspiração
pelo excesso de amargor
Pelas infames exclamações

Vive o teu luto e clama aos céus
Perdoa-te!
Perdoa todos os teus medos
Perdoa a tua contínua falta de tempo
Perdoa a alma cega e inerte
Que paralisada não sabe pra onde ir
nem como chegar.


Diva L.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Pausa para Capitu

— É pecado sonhar?
— Não, Capitu. Nunca foi.
— Então por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos?
— Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer.”

Machado de Assis


quinta-feira, 15 de maio de 2014

O Poeta é um Fingidor














Tristeza, melancolia e dor
Assim como o Pessoa versou:
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente(...)"

Pobre aprendiz sou eu
Que não mais me inspira a dor
Talvez tenha perdido o jeito
até de falar sobre o amor

Aos poetas que por aqui passam
Versando sem se preocupar
Se dores ou amores os inspiram
Escrevam e me façam chorar.

( Diva L.)

domingo, 9 de março de 2014

"Lepo, Lepo": Um som inspirador...SQN

Sim é verdade! A mais pura e genuína verdade. Para os que acompanham o blog (Se é que ainda alguém acompanha), tendo em vista que já faz um tempinho que não posto nada novo ou interessante, já deu para perceber que a minha inspiração anda abaixo da camada pré-sal.  Para onde foi a minha fome de poesia? Acredito que deveria estar perdida ou parada em algum engarrafamento, na correria diária ou nos busões sempre lotados.

No entanto, esta simples mortal, teoricamente, deu uma pausa neste feriadão de carnaval. Ficaram felizes, não é? Eu também, não imaginam o quanto, pois só de pensar em enfrentar os foliões e  romper as barreiras para chegar até a empresa, estava me causando pânico. Por esta razão, decidi aproveitar a folga para trabalhar em casa. Isso mesmo! Passei (ou pelo menos tentei) trabalhar home office. Chic, não? Não! Não mesmo, mas era o que eu tinha para os dias de momo.


INSPIRAÇÃO - Mas como a inspiração tem vontade própria, mesmo sem pretensão, eis que ela ressurgiu. Querem saber como? Não precisam responder, eu conto. Ao som do clássico "Lepo, lepo". Calma, sem tanto frisson, eu explico. Estava trabalhando em alguns relatórios, quando o meu vizinho (quem tem vizinho me entende), meu vi-zi-nho, me apresentou a música que tocou durante os 4 dias de folia. Independente do horário, lá estava o "Lepo, lepo". O incansável e estridente som me acompanhou por intermináveis horas e de tão ousado, invadiu até os meus sonhos, acreditam?!. Mas se isso foi ruim? Não, não foi! Foi maravilhoso ouvir a "melodia", a letra, uma composição digna de Grammy Latino, quicá do Troféu Imprensa (Aquele do Silvio Santos). Sim, estou com as sobrancelhas arqueadas, com um sorriso irônico e balançando a cabeça, fazer o que? É impossível disfarçar.

Pois é, a cada novo anúncio do "Lepo, lepo", o meu sentimento de impotência diante da mediocridade me esbofeteava, e com isso pensei (sim, eu ainda conseguia pensar), a culpa é minha e de todos os que não encontram em suas agendas concorridas alguns minutos para combater a mediocridade.  Não paramos para presentear os nossos  amigos, parentes ou ainda compartilhar em nossa rede o que há de sublime em nossa música, literatura, história. Imaginem como pode no berço dos poetas, na Veneza Brasileira, reduto de tantos e tantos intelectuais, compactuar com tanta mediocridade. Como pode na TERRA DO FREVO (com letras garrafais mesmo), ver pais incentivando seus pequenos filhos a se remexerem ao som dessa abominação "musical", e permanecermos inertes? A cada dia surgem mais e mais expressões advindas de cérebros vazios, almas vazias e me-dio-cres.

Tá, tudo bem! Nem sei quantas vezes repeti a palavra "mediocridade".  Sei que repetir palavras não faz parte de uma boa redação, mas desta vez foi de propósito para que assim eu jamais esqueça da necessidade de alimentar a minha alma com o que vale a pena e jamais, em tempo algum, emudecer diante de mais poderosa forma de dominação: A ignorância e, por consequência, a MEDIOCRIDADE!

Psiu, o texto ainda não terminou. Isso mesmo, vocês acham que o meu carnaval foi apenas "L... "- Ops!  não vou nem repetir porque isso gruda no cérebro feito chiclete - mas não foi não! Diante do famigerado som, procurei socorro nos meus arquivos cerebrais e recordei da frase de uma música que ouvi no busão: "Sei que você é o meus sol". Com isso, corri no Google e encontrei a composição do Vanguart, banda que já curto há algum tempo - e olha que eu nem sabia que era tema de Lili e Willian  -  e como não poderia deixar de ser, meu Carnaval foi salvo pelo Sol...Pelo meu Sol. Se seremos felizes para sempre? Ah, tenho certeza que sim.



Meu Sol
Vanguart

Minh'alma sabe que viver é se entregar
Sabendo que ninguém pode julgar
Se teve que olhar pra trás ou não
Talvez se a vida me trouxer o que eu pedi
Te encontro e faço tudo que quiser
Te dizendo: "o sol renasce amanhã. "
A vida é tão mais vida de manhã
Quando eu vejo você, é
Saiba você é meu sol

Ela tem entrelinhas fáceis de rimar
Me encosta o colo e fica onde quiser
E me molha como um rio que lava o chão
Só pra você eu tenho os olhos e meu coração
Espero o teu sorriso e as tuas mãos
Não esquece, o sol renasce amanhã
A vida enfim vivida de manhã, quando eu tenho você é
Sempre você é meu sol
Meu sol
Saiba você é
Meu sol
Sempre você, meu sol

Eu já me preparei demais e declaro
Agora é a hora, o amor profundo
O amor que salva
Vem depressa, não demora
Meu sol
Saiba você é, meu sol
Sempre você, meu sol

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Um povo bom da gota!

Eitaaaaaaaa, pensaram que eu tinha esquecido? Nuncaaaaa!!! Esquecer o Dia do Nordestino, é o mesmo que esquecer quem sou...bom, isso é um outro papo. Mas, enfim, é sempre preciso falar, falar e falar sobre o povo e essa terra, que aos olhos de alguns, é apenas uma terra seca.
Então, uma homenagem aos meus conterrâneos fortes e lutadores. Parabéns pra gente!


Rimando o Nordeste


Quando o assunto é Nordeste
De pronto desembesto a tagarelar
Pra falar dos nossos costumes e riquezas
Nada melhor que rimar
O Nordeste é mais que praia, sol e mar

Pra começar é bom não esquecer
que o nordestino é antes de tudo um forte,
disse Euclides da Cunha ao escrever
sobre a vida no sertão, terra difícil de viver
Só os fortes vivem pras bandas de cá
Porque o Nordeste é mais que praia, sol e mar

Pegue o pandeiro e nos acompanhe
Somos xote, xaxado e baião
Embole sem travar a língua
Siga o contexto da canção
não gagueje nem saia da rima
Venha conhecer essa terra e o meu lugar
O Nordeste é mais que praia, sol e mar

Pra alguns é só uma terra seca, sem vida e sem valor
A terra pode até ser árida, mas o povo é encantador
Vive sem temores, peleja sem medos e não pede favor
O Nordeste é mais pra quem  sabe rimar
E muito mais que praia, sol e mar

Aqui nada cai do céu
Nem chuva pra molhar o chão
Matar um leão por dia é  fato
não é brincadeira não
De menino a ancião todos sem vacilar
Sabem que o Nordeste é mais que praia, sol e mar

Mas não pense que lamentamos
Nem somos resignados
Lutamos e fazemos história
Não somos acomodados
Nessa terra se plantando tudo dá
Pois o Nordeste é mais que praia, sol e mar

Vem comigo que te mostro as cidades capitais,
que às margens do oceano dá até gosto de ver
fonte de estudo, diversidade e beleza
fruto do trabalho, esforço e dedicação
que ajuda a crescer e fortalecer a nação

Recife "A Veneza Brasileira",
Fortaleza "A Terra do Sol",
Salvador "A Roma Negra",
Maceió "O Paraíso das Águas",   
João Pessoa "A Cidade dos Lírios",
Natal  "A Cidade do Sol ",
São Luís, "Atena Brasileira"
Teresina, "A Rainha do Nordeste",
Aracajú "A Pequena e Charmosa"

Formamos uma região plural
Falamos um dialeto que nem todos compreendem
Oxente, visse e apois são todos parentes
Cantamos cada qual em um compasso
De compasso em compasso todos se entendem
sem arenga, picuinha nem embaraço
Convivemos num mesmo espaço

Somos cabras-da-peste e não gostamos de aperreio
Somos um povo arroxado e de grande coração
Somos diretos e não fazemos arrodeio
Somos um povo festeiro que detesta morgação

Gente abilolada aqui é difícil encontrar.
Parar no tempo e espaço é coisa de aruá
Buliu com um conterrâneo, vai ter que arribar
Não engolimos sapos nem aqui nem acolá

Biscoito e bolacha não é tudo igual
Presta atenção pra não esculhambar
Biscoito é doce e bolacha é de sal
Esse quiprocó é só pra atanazar

Arretar virou verbo que todos sabem conjugar
Gente arretada é destaque e querida no lugar
Mas gente que arreta pode até apanhar
Depende da forma que o camarada se portar

Somos cinema, teatro e música
A nossa culinária é de lascar
Não comemos calango, pode parar!!!
Mas poderíamos até comer,
pois tudo o que fazemos, dá gosto de ver

Somos caju mas também castanha
Somos cangaço, fé e devoção
Ao som da chinela o povo se levanta
Quando dançamos sobe o poeirão
Somos um povo animado, festeiros de coração

Somos muitos Severinos e Arianos a contar
causos do povo das bandas de cá e de lá
Somos João Cabral e Bandeira, o poeta
que foi em Pasárgada morar

Lutamos contra o preconceito e a discriminação
Somos Pólo de Medicina
Referência em Gastronomia
Centro de Estudos e Tecnologia
Quem disse que matuto não sabe geografia?
Quem não sabe é bom estudar
Quem foi que disse que o Nordeste fica
em outro lugar?

Estudamos e evoluimos tanto
que os nossos portos se ampliaram
Porto digital, Porto de navio
Porto de corações apaixonados
por esse canto do Brasil

Vamos além mar sem temor no coração
Somos Brasil,  somos filhos do sertão
Somos o Nordeste brasileiro
Somos parte da nação
E daqui, moço
Não arredamos o pé não!


Elô Araújo


Dia do Nordestino - 08 de outubro.
Texto postado em 11/10/10

domingo, 22 de setembro de 2013

Sente o som

Jacarandá

Para que você volte pra cá
Seus olhos azuis a me mirar
Suas orações a me guiar

Minha vida era mais sorriso assim
Porque todas as flores que hoje sei
Foi você quem me ensinou

Céu, devolve meu ouro, minha felicidade
Deus, protege, ilumina e guarde a todos nós
Assim ela dizia

Jacarandá que flor seria essa,
Que linda flor se parece com você
Dama da noite que perfuma a cidade
Seu manacá lá no morro traz saudade

Michele Leal/ Alan Athayde


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Escreva um poema

Escreva um poema
Nem tudo é rima
Mas pode ser verso
Se triste, alegre ou apaixonado
Nós decidimos como compor

Escreva um poema
Fale de flores e cores
Ou de chuva e dores
As rimas pobres também enriquecem
Fale de amores
vividos, perdidos, sonhados
Escreva entre lágrimas, suores ou risos
Mas escreva algo

Não permita que o dia-a-dia
Endureça o coração
Nem que a língua atrofie diante das palavras
Que os lábios se abram em um lindo sorriso
Que aceite o convite de um outro lábio
E em um longo beijo
Transborde em poesia Compartilhe seus versos
Escreva um poema
Viva um poema
Faça-se um poema

Mas viva!
Seja!
Escreva um poema,
Um lindo e sublime...Poema!

Elô Araújo

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