Não falamos sobre moda, cultura é o nosso foco, poesia nossa inspiração. Sair do lugar comum é como ver o mundo de cima de um salto 15...Vermelho!!!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Observando...

Estou só observando...
Discursos heroicos e inflamados, grito pelos excluídos e marginalizados, defesas aos políticos, acusações aos mesmos, acreditem, políticos (como se os mesmos estivessem muito preocupados), brigas partidárias, indignação frente à maus tratos à idosos, crianças e animais, muito embora, milhares de vídeos e imagens sejam compartilhadas diariamente. Correntes e orações por ateus, piadas de gosto duvidoso pelos que se dizem cristãos. Declarações de amor e amizade... Filhos dedicados que mal olham para os pais. Autoajudas, receitas, supostos furos de reportagem. Falácias e lógicas infundadas.

Apenas observando...
Embora o BBB seja repudiado, as pessoas adoram exibições e comentários. Piadas sem graça e vídeos sem noção, que causam tão somente vergonha alheia. Quanta futilidade mascarada de incentivo, utilidade pública e bla, bla blas que vão de cortes e tinturas de cabelo, unhas coloridas e fashions, dietas. Nossa, quanto consumo desnecessário de oxigênio e conexão. Quantas mentes vazias em busca de segundos de fama, resumidas em curtidas. Que doentia necessidade de estar na moda, criando, divulgando e participando de "modinhas", de ser cool ou cult. Vale tudo por uma curtida. Quantos comentários que em nada enriquecem? Ah,  quanta preguiça me causam!

Sinto-me uma E.T.
Fato! Não consigo alcançar o universo que permeia tais universos.  Quão grandiosa é a rede, como seria fantástico se os ditos humanos conseguissem ser humanos sem máscaras, que oscilam de super heróis bem sucedidos a pobre coitados e mal amados.

Quanta preguiça me causa...
A certeza que as pessoas seriam mais interessantes se o comportamento fosse sem interpretações, sem frases repetidas. O ser humano é um ser especial que não precisa mascarar seus desejos e dores, somos seres espetaculares.

Por que insistimos em permanecer no lugar comum?


Elô Araújo




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Apenas sinta... Zeto do Pajeú

De  repente uma saudade do que não vivi. Uma vontade de viver algo que inspire um poema de tamanha grandiosidade. Voz, violão, sonoridade, sensibilidade à flor da pele que desperta os sentidos, aflora os desejos e anseios. Eita vontade de me apaixonar e de rasgar em versos as batidas do meu coração!

Deleite-se!!!

Curvas
Zeto do Pajeú


Esse rio que passa no meu coração
Navega pra minha vontade
Uma viola junto da mão
Silêncio acorda na cidade

Eita quanto tempo uma canção demora no meu peito
Esse rio que passa
Parece que a melodia encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha vida se varia depois que eu canto
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso de cantar

Esse rio que seca no meu coração
Deságua na minha vontade
Uma viola junto da mão
Segredos da minha idade

Eita quanto tempo o teu cheiro fica em minha boca
Esse rio que passa
Parece que  meu coração encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha rua se enfeita com tua chegada
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso te voltar

Esse rio que passa no meu coração
Navega pra minha vontade
Uma viola junto da mão
Silêncio acorda na cidade

Eita quanto tempo uma canção demora no meu peito
Esse rio que passa
Parece que a melodia encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha vida se varia depois que eu canto
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso de cantar

Esse rio que seca no meu coração
Deságua na minha saudade
Uma viola junto da mão
Segredos da minha idade

Eita quanto tempo o teu cheiro fica em minha boca
Esse rio que passa
Parece que  meu coração encontrou onde morar
Esse rio que passa
Eita minha rua se enfeita com tua chegada
Esse rio que passa
E eu tento me dizer que pra viver preciso te voltar


Zeto do Pajeú - José Antonio do Nascimento, músico e poeta declamador. Tinha formação musical e literária urbana. Canhotinho (PE) 1956 - Recife (PE) 2002. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Poeta nasce Poeta

Certo dia entre um verso e outro
alguém me perguntou:
Como surge um poeta?
E eu, com um sorriso débil respondi:
Poeta nasce poeta!
Se assim não o fosse,
não seria poeta!
Poeta não se fabrica,
Sua faculdade é a vida
seus companheiros são os pássaros,
a brisa, o  vento, as nuvens que chegam a ser de algodão...
O amor, a solidão, o beijo roubado ainda na adolescência,
A face ruborizada, o brilho febril do olhar enamorado.
Poeta simplesmente nasce poeta!
O poeta sorri à toa
Não é necessário um fato extraordinário
para inspirá-lo.
Não, o poeta é inspirado do nascer ao pôr do sol
Por vezes, nem precisa ter sol
Basta ameaçar chuva, que lá está ele divagando,
divagando, divagando...
Entre gotas d´água, arco-íris, relâmpagos e trovões
Ele visualiza potes de ouro e lugares encantados
Ah, o poeta!
O poeta não tem sexo, nem ideologia...
Isto é, têm inúmeras ideologias e ergue bandeiras com paixão
Ser mortal que se imortaliza em versos
Não precisa de rimas, apenas de sonhos
Poeta,  louco e doidivano
Chora e faz chorar, sus-pi-rar...
Vibra emocionado ao concluir um soneto
Orgulha-se ao exibir um cordel
Extasia-se ao tocar as almas com sua poesia
que sem pretensão transborda do mais profundo
do seu ser...
Embriaga-se com as palavras que escorrem pela boca
e encharcam a pele e a mente
Sim, o poeta  não apenas surge,
Poeta nasce sonhando
Poeta nasce poeta!!!

Elô Araújo

domingo, 17 de agosto de 2014

Lágrimas do Recife

O meu Recife está tão triste
O Capibaribe parece feito de lágrimas
Lágrimas turvas que impiedosas se espalham
Os olhares incrédulos vagam pela Rua da Aurora

Tudo é silêncio!!!
Todos estão em profundo e inquietante silêncio
Na Rua da União, os poetas emudeceram,
Não há rimas nem versos
Já não há Ariano

E Campos...O Dudu, como só os pernambucanos
o chamavam...se foi!

E eu, que entre lágrimas escrevo
Contemplo o meu Recife taciturno
Os pombos do Pátio de São Pedro
Já não sabem ou não querem voar

O Marco Zero está solitário, totalmente vazio
Na Torre Malakoff  nada temos à contemplar
Da Praça da Independência até a Rua Direita
As pessoas se comunicam apenas pelo olhar

A Rua do Hospício mais parece sob efeito de tranquilizantes
De repente tornou-se sã diante de tamanho desatino
O luto se estendeu por todos os cantos desta cidade
Até a agitada Dantas Barreto emudeceu

Sob densa nuvem, a Rua do Sol eclipsou
Na Rua Nova pessoas perplexas comentam
Duque de Caxias, Guararapes,
Ponte Duarte Coelho,
Tudo é tristeza, apenas os sinos tocam

Um lamento!!!

Sete vidas se foram
Sete famílias que se multiplicaram
e compartilham da mesma dor
Os corações descompassados batem no peito
A esperança se fez em pedaços

Já não há partidos e as ideologias se perderam
O torpor invadiu o céu e o sol teima em não brilhar

Julho se foi entre lágrimas e abriu as portas
Agosto adentrou  acompanhado de profunda comoção
Só quem é pernambucano alcança
A tristeza em cada olhar

Só quem é pernambucano entende
O significado do silêncio que grita
Pelas ruas do meu Recife
Cujas lágrimas se misturam

As turvas águas feitas de lágrimas
que cruzam a cidade submissas ao Capibaribe
Ecoam por toda a cidade como prece
Para que se transforme em saudade
a dor agora sentida...Assim seja!



Que Deus console os corações destas famílias e que renove a esperança do nosso povo.

Elô Araújo

PS: A minha ficha ainda não caiu.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Ariano

Ontem amanhecemos nublados,
Hoje em lágrimas nos desmanchamos.
Eu e o Recife.
Um texto que não apreciamos.
Um fato sem propósito
Que ainda não aceitamos.
E agora, quem aquietará as nossas inquietações?
Quem alimentará a nossa fome de encantamento?
Quem fará flutuar a nossa alma?
Quem em um misto de firmeza e leveza se oporá à mediocridade?
Quem nos fará rir diante das verdades expostas?
O nordestino de branco, o rubro amado por todas as nações
O cavaleiro armorial de muitas faces
A "madeira de lei" que aos cupins bravamente resistiu
O frágil corpo que já não comportava tamanha genialidade,
No seio da terra foi plantado
E a nós, pobres mortais, nos resta resistir
E lutar com as armas dele e por ele.

Obrigada, mestre Ariano.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons