Se você me ama, mostre-me!
Não espere até que eu morra,
para depois cinzelar
- sobre a tumba fria -
palavras quentes de amor.
Ame-me agora enquanto estou vivo,
enquanto posso reconhecer os seus
sentimentos de ternura e meiguice
que brotam de uma afeição genuína.
Se você encontra alguém
com sede de água fresca,
tardará em levar? Irá devagar?
Por que negar-lhes o que
a natureza o fez desejar?
Se você pensa em mim com carinho,
por que não o manifesta?
Não sabe que me faria muito feliz?
Há corações sensíveis a sua volta,
carentes de amor e compreensão.
Eu não desejarei o seu amor
quando a erva crescer sobre o meu túmulo.
Não precisarei do seu carinho
no último lugar de repouso.
Por isso, se você me ama,
mesmo que seja pouco,
mostre-me agora, enquanto vivo
e eu o guardarei como um tesouro.
Autor desconhecido
Texto dedicado ao meu pai Evandro Araújo
(Recife, 03 de setembro de 1928 - Recife, 27 de outubro de 2012).