Não falamos sobre moda, cultura é o nosso foco, poesia nossa inspiração. Sair do lugar comum é como ver o mundo de cima de um salto 15...Vermelho!!!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Poeta nasce Poeta

Certo dia entre um verso e outro
alguém me perguntou:
Como surge um poeta?
E eu, com um sorriso débil respondi:
Poeta nasce poeta!
Se assim não o fosse,
não seria poeta!
Poeta não se fabrica,
Sua faculdade é a vida
seus companheiros são os pássaros,
a brisa, o  vento, as nuvens que chegam a ser de algodão...
O amor, a solidão, o beijo roubado ainda na adolescência,
A face ruborizada, o brilho febril do olhar enamorado.
Poeta simplesmente nasce poeta!
O poeta sorri à toa
Não é necessário um fato extraordinário
para inspirá-lo.
Não, o poeta é inspirado do nascer ao pôr do sol
Por vezes, nem precisa ter sol
Basta ameaçar chuva, que lá está ele divagando,
divagando, divagando...
Entre gotas d´água, arco-íris, relâmpagos e trovões
Ele visualiza potes de ouro e lugares encantados
Ah, o poeta!
O poeta não tem sexo, nem ideologia...
Isto é, têm inúmeras ideologias e ergue bandeiras com paixão
Ser mortal que se imortaliza em versos
Não precisa de rimas, apenas de sonhos
Poeta,  louco e doidivano
Chora e faz chorar, sus-pi-rar...
Vibra emocionado ao concluir um soneto
Orgulha-se ao exibir um cordel
Extasia-se ao tocar as almas com sua poesia
que sem pretensão transborda do mais profundo
do seu ser...
Embriaga-se com as palavras que escorrem pela boca
e encharcam a pele e a mente
Sim, o poeta  não apenas surge,
Poeta nasce sonhando
Poeta nasce poeta!!!

Elô Araújo

domingo, 17 de agosto de 2014

Lágrimas do Recife

O meu Recife está tão triste
O Capibaribe parece feito de lágrimas
Lágrimas turvas que impiedosas se espalham
Os olhares incrédulos vagam pela Rua da Aurora

Tudo é silêncio!!!
Todos estão em profundo e inquietante silêncio
Na Rua da União, os poetas emudeceram,
Não há rimas nem versos
Já não há Ariano

E Campos...O Dudu, como só os pernambucanos
o chamavam...se foi!

E eu, que entre lágrimas escrevo
Contemplo o meu Recife taciturno
Os pombos do Pátio de São Pedro
Já não sabem ou não querem voar

O Marco Zero está solitário, totalmente vazio
Na Torre Malakoff  nada temos à contemplar
Da Praça da Independência até a Rua Direita
As pessoas se comunicam apenas pelo olhar

A Rua do Hospício mais parece sob efeito de tranquilizantes
De repente tornou-se sã diante de tamanho desatino
O luto se estendeu por todos os cantos desta cidade
Até a agitada Dantas Barreto emudeceu

Sob densa nuvem, a Rua do Sol eclipsou
Na Rua Nova pessoas perplexas comentam
Duque de Caxias, Guararapes,
Ponte Duarte Coelho,
Tudo é tristeza, apenas os sinos tocam

Um lamento!!!

Sete vidas se foram
Sete famílias que se multiplicaram
e compartilham da mesma dor
Os corações descompassados batem no peito
A esperança se fez em pedaços

Já não há partidos e as ideologias se perderam
O torpor invadiu o céu e o sol teima em não brilhar

Julho se foi entre lágrimas e abriu as portas
Agosto adentrou  acompanhado de profunda comoção
Só quem é pernambucano alcança
A tristeza em cada olhar

Só quem é pernambucano entende
O significado do silêncio que grita
Pelas ruas do meu Recife
Cujas lágrimas se misturam

As turvas águas feitas de lágrimas
que cruzam a cidade submissas ao Capibaribe
Ecoam por toda a cidade como prece
Para que se transforme em saudade
a dor agora sentida...Assim seja!



Que Deus console os corações destas famílias e que renove a esperança do nosso povo.

Elô Araújo

PS: A minha ficha ainda não caiu.

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